Você já ouviu falar em Síndrome de Guillain-Barré?

Por: Dra. Regiane Souza Neves
Texto publicado em 04/04/2016. Atualizado com dados sobre a Covid-19 em 05/01/2022.

Síndrome de Guillain-Barré 

Geralmente ela é diagnosticada após algumas semanas de uma infecção viral como Dengue, Zika Vírus, Chicungunha ou até uma gripe, por exemplo. Segundo a literatura médica, entre 60% e 70% dos pacientes (que podem ser crianças, adultos ou idosos) desenvolvem a Síndrome de Guillain-Barré depois de terem contraído uma infecção viral, mas pode acontecer também com a bacteriana. Os primeiros sintomas são percebidos nos membros inferiores, como fraqueza muscular e parestesias (que são sensações estranhas na pele, como formigamento, coceira, queimação, pressão). Na maioria dos casos, essas manifestações são sentidas em seguida nos membros superiores e depois espalhadas pelo corpo, por meio de dores neuropáticas (ou seja, associadas a doenças no sistema nervoso).

Em geral a Síndrome acontece da seguinte maneira: quando uma pessoa está com uma infecção, produz anticorpos para atacar os vírus ou bactérias invasoras. Entretanto, alguns desses micro-organismos possuem substâncias semelhantes àquelas encontradas nos nossos nervos (mais precisamente à bainha de mielina, que reveste e protege as células nervosas). Assim, o próprio organismo, produzindo moléculas de defesa contra os patógenos, pode passar a atacar o revestimento dos neurônios (por isso a doença é considerada autoimune).

Esse ataque é tão forte que destrói toda a proteção dos nervos e, com isso, é bloqueada a passagem de estímulos aos nervos motores, que levam as informações do sistema nervoso até os músculos (justamente por isso os primeiros sintomas são fraqueza e parestesias, seguidos de paralisia muscular). Os sinais são progressivos e ocorrem rapidamente, geralmente em menos de uma semana.

Outros sintomas são queda ou aumento da pressão arterial, retenção urinária e constipação intestinal. Em quadros mais graves, os pacientes podem sentir ainda arritmias cardíacas e insuficiência respiratória, principais motivos que fazem a síndrome ser fatal (mas são raros os casos).

Diagnóstico e tratamento para crianças 

Se desconfiar da doença, a primeira medida é encaminhar o filhote ao pediatra, que fará uma análise clínica inicial da criança. Em caso de suspeita do médico, o pequeno precisará fazer alguns exames complementares para comprovar, ou não, a Síndrome de Guillain-Barré.

Se o diagnóstico for fechado, é hora de partir para o tratamento. Nas crianças, é recomendado o tratamento com imunoglobulina intravenosa (ou seja, com injeções de outros anticorpos, para destruir os anticorpos produzidos pelo organismo e que estão atacando os nervos) durante no máximo dois dias.

Dado o início do tratamento, as duas primeiras semanas geralmente são marcadas por progressão da Síndrome, seguida de estabilização até, finalmente, a regressão. A recuperação pode levar semanas ou mesmo meses e, para recuperar todos os movimentos que foram comprometidos, a demora pode ser de um ano. Também é necessária a atuação de uma equipe multiprofissional para acompanhar o tratamento, estimular o paciente e mesmo ensiná-lo novamente coisas que ele já sabia (escovar os dentes, pinçar o lápis para escrever, etc), mas que acabou perdendo por conta da síndrome.

Recuperação das crianças

Vale destacar que nas crianças o diagnóstico é mais fácil de ser feito e a chance de recuperação muito alta. O importante mesmo é prestar atenção aos sinais, especialmente queixas de dor (que são as manifestações mais comuns nos pequenos) e encaminhá-lo ao pediatra para que, se comprovado um quadro de Síndrome de Guillain-Barré, o tratamento seja iniciado imediatamente.

Guillain-Barré e Covid-19

De acordo com um artigo publicado no periódico científico New England Journal of Medicine, casos da síndrome de Guillain-Barré associados à Covid-19 foram identificados, apoiando a ligação entre o vírus e as complicações neurológicas. Além disso, casos raros de síndrome de Guillain-Barré (SGB) após a vacinação contra Covid-19 têm sido relatados em diversos países, inclusive no Brasil. Em um comunicado divulgado em julho de 2021, a Anvisa informou que, até aquele momento, havia recebido 27 notificações de casos suspeitos de SGB após a imunização com a vacina da AstraZeneca, além de três casos com a vacina da Janssen e outros quatro com a CoronaVac, totalizando 34 registros. É importante destacar que a Anvisa mantém a recomendação pela continuidade da vacinação com todas as vacinas contra Covid-19 aprovadas pela Agência, dentro das indicações descritas em bula, uma vez que, até o momento, os benefícios das vacinas superam os riscos. Diante dos relatos de eventos adversos raros pós-vacinação, a Agência solicitou que as empresas responsáveis pela regularização das vacinas AstraZeneca, Janssen e CoronaVac incluam nas bulas dos respectivos produtos informações sobre o possível  risco de SGB.