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Autismo e Seletividade Alimentar


Este é um resumo do capítulo do meu livro: 
SOUZA NEVES, Regiane. Transtorno do Espectro Autista: Conhecer, Diagnosticar, Intervir e Orientar. Souza & Neves Edições. Clube de Autores. 1ª edição. São Paulo, 2019


A seletividade alimentar é caracterizada por recusa alimentar, pouco apetite e desinteresse pelo alimento. É um comportamento típico da fase pré-escolar, mas, quando presente em ambientes familiares desfavoráveis a uma alimentação regrada, pode acentuar-se e permanecer até a adolescência. Esse problema pode estar presente na maioria das crianças, mas tende a melhorar conforme o tempo.

As crianças com TEA (autismo) podem apresentar comportamentos restritivos, seletivos e ritualísticos que afetam diretamente seus hábitos alimentares resultando em desinteresse e recusa para alimentação. 

Alguns fatores podem contribuir para a seletividade alimentar, um deles está relacionado à sensibilidade sensorial — também chamada de defensividade sensorial ou super responsividade sensorial, é a reação exagerada a certas experiências de toque, muitas vezes resultando em uma aversão ou uma resposta comportamental negativa. 

A alimentação pode ser negativamente afetada pela sensibilidade sensorial a texturas, gostos, cheiros e temperaturas dos alimentos.

É importante que a família investigue por qual ou quais alimentos a criança apresenta maior dificuldade para ingerir e tente introduzir no cardápio alimentos nutritivos que a criança consiga comer, por exemplo, se a criança não gosta de feijão, deve ser investigado se são todos os tipos de feijão que a criança não come ou apenas um tipo, que pode ser por causa da cor e tamanho, e assim tentar oferecer tipos de feijão que a criança consiga ingerir, isso também pode acontecer por não gostar de sentir grãos na boca e não conseguir engolir, se este for o problema é bom amassar os grãos ou triturar para que possa se alimentar e nutrir. Neste momento, o importante é fazer a criança comer e ter saúde, sem lhe causar estresse. Com o passar do tempo, conforme a criança cresce ela vai identificando alimentos que mais aprecia, sentindo vontade de experimentar alimentos diferentes e assim, a seletividade alimentar vai diminuindo, não quer dizer que deixará de ser seletivo, pois isso o acompanhará por toda a vida, mas com certeza na fase adulta não selecionará tanto os alimentos.

Se achar necessário, é importante procurar um profissional de nutrição (nutrólogo ou nutricionista), mas este profissional deve ser especializado em autismo para compreender este comportamento e auxiliar de forma mais eficaz. 

Enfim, espero ter colaborado com algumas de suas dúvidas. Se você se interessou sobre o assunto ou quer entender melhor as dificuldades do seu filho ou aluno, entre em contato e agende uma sessão de orientação. Para profissionais da psicopedagogia que necessitam de auxilio para diagnóstico e intervenção adequada, realizo supervisão nos seus atendimentos. 

Prof. Dra. Regiane Souza Neves - Atua há 26 anos na área da educação onde foi professora, coordenadora pedagógica e diretora, sendo que nesta última função permaneceu por 15 anos como diretora na educação básica e está há 7 anos como diretora do CEADEH Centro de Estudos Avançados em Desenvolvimento Educacional e Humano (escola de formação continuada para educadores). Também atua há 11 anos em clínica como neuropsicopedagoga, neuropsicologa, psicopedagoga, psicomotricista e psicanalista, onde realiza diagnósticos para transtornos do neurodesenvolvimento como TEA, TDAH, TOD entre outros. Há 20 anos atua em estudos e desenvolvimento de políticas públicas. Saiba mais AQUI.