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Tipos de Autismo


Este é um resumo do capítulo do meu livro: 
SOUZA NEVES, Regiane. Transtorno do Espectro Autista: Conhecer, Diagnosticar, Intervir e Orientar. Souza & Neves Edições. Clube de Autores. 1ª edição. São Paulo, 2019

Atualmente, por conta das mudanças recentes e dos principais manuais de diagnóstico, o termo que abrange todos os tipos de autismo e que será o mais comumente na hora do diagnóstico é o Transtorno do Espectro Autista, não distinguindo mais qual o tipo de autismo.
Mesmo assim, para adicionar informações ao conhecimento vou descrever alguns tipos:

Autismo Clássico 

As pessoas com autismo clássico costumam ter atrasos linguísticos significativos, desafios sociais e de comunicação e comportamentos e interesses incomuns. Muitas pessoas com transtorno autista também têm deficiência intelectual.

As pessoas com autismo podem ter também uma sensibilidade muito diferente das pessoas com desenvolvimento típico com relação aos estímulos sonoros, olfativos, gustativos, visuais e ao tato. É comum elas colocarem as mãos nos ouvidos frente a alguns ruídos, e em festinhas podem ficar extremamente desorganizadas na presença de balões estourando e de palmas na hora de cantar parabéns. Pessoas com autismo podem também explorar situações novas (objetos ou pessoas) utilizando o olfato (cheirando) e gustação (lambendo). Em relação ao tato, muitas vezes não conseguem tolerar certas texturas de roupa e podem parecer sentir menos dor que as outras crianças. 

Muitos indivíduos com autismo apresentam uma seletividade alimentar, ou seja, eles escolhem apenas alguns tipos de comida para ingerir e essa escolha muitas vezes é pela consistência (só alimentos pastosos, líquidos), pela cor (só alimentos vermelhos) ou pelo paladar. Alguns autistas apresentam problemas para assimilar cores, na verdade pode ser que uma cor ou outra cause irritação ocular (independente da intensidade da cor), pode causar um desconforto ao olhar e isso faz com que tenha um comportamento atípico e queira se livrar da cor, batendo, arranhando etc. Também apresentam dificuldade no processamento do som, em alguns casos pode demorar segundos para que internalize o som da fala de alguém, por isso é importante falar com o autista de forma clara, objetiva e se possível bem próximo dele, mesmo assim pode demorar alguns segundos para ele responder ao chamado.

As medicações, quando necessárias, são utilizadas para tratamento dos sintomas periféricos que podem estar associados com o quadro (insônia, hiperatividade, ansiedade, espasmos psicomotores que podem levar a um comportamento "agressivo") e até o momento não existem medicações para o tratamento dos sintomas centrais do quadro.

O Transtorno do Espectro Autista pode ser dividido em 3 níveis:

Nível 1 - Leve (que necessita de suporte): É comum a pessoa apresentar um interesse diminuído nas interações sociais, e ter dificuldade em iniciar contatos com os outros, principalmente ao tentar fazer amizades. Em conversas, o autista deste nível pode dar respostas atípicas ou não conectadas com o assunto e até parar de responder. Por causa do foco intenso, a criança ou adulto autista neste quadro costuma ter dificuldade para trocar de atividades. A sua independência acaba sendo limitada por problemas com organização e planejamento.

Nível 2 - Moderado (que necessita de suporte substancial): Nesta parte do espectro, o autista já demonstra déficits marcantes na conversação, com respostas reduzidas ou consideradas atípicas. As dificuldades de linguagem são aparentes mesmo quando a pessoa tem algum suporte, e a sua iniciativa para interagir com os outros é limitada. Os comportamentos atípicos interferem com o cotidiano da pessoa numa grande variedade de ambientes, e acontecem com frequência suficiente a ponto de serem óbvios para observadores casuais. O autista aqui chega a apresentar aflição para mudar o foco ou ação.

Nível 3 - Severo (que necessita de suporte muito substancial): O indivíduo de baixo funcionamento apresenta dificuldades graves no seu cotidiano, com uma resposta mínima a interações com outras pessoas e a iniciativa própria de conversar muito limitada. O indivíduo neste ponto do espectro tem uma dificuldade extrema de lidar com mudanças, no geral sentindo grande aflição quando precisa trocar de atividades. Os seus comportamentos repetitivos já interferem marcadamente em todas as esferas da sua vida.

A diferença na intensidade dos sintomas do autismo, além da presença de outras condições associadas, como o TDAH ou a síndrome de Savant, são os principais fatores considerados pelos especialistas em TEA na hora de montar o tratamento de um paciente.

Cada pessoa com autismo também vai se desenvolver no seu próprio ritmo e cada família vai lidar com o cotidiano do distúrbio do seu jeito. Todo este conjunto vai influenciar como cada autista se relaciona, se expressa e se comporta.

Em grande parte da literatura sobre este tema, muito se fala da criança autista, mas esquece-se que a criança cresce e sendo o autismo não curável, logo teremos adultos autistas com ou sem diagnósticos, por este motivo é necessário entender a fundo suas características a fim de promover informações adequadas, bem como diagnósticos e intervenções efetivas.

As pessoas com autismo podem ter uma sensibilidade muito diferente das pessoas com desenvolvimento típico com relação aos estímulos sonoros, olfativos, gustativos, visuais e ao tato. É comum elas colocarem as mãos nos ouvidos frente a alguns ruídos, e em festinhas podem ficar extremamente desorganizadas na presença de balões estourando e de palmas na hora de cantar parabéns. Pessoas com autismo podem também explorar situações novas (objetos ou pessoas) utilizando o olfato (cheirando) e gustação (lambendo). Em relação ao tato, muitas vezes não conseguem tolerar certas texturas de roupa e podem parecer sentir menos dor que as outras crianças. Muitos indivíduos com autismo apresentam uma seletividade alimentar, ou seja, eles escolhem apenas alguns tipos de comida para ingerir e essa escolha muitas vezes é pela consistência (só alimentos pastosos, líquidos), pela cor (só alimentos vermelhos) ou pelo paladar. Alguns autistas apresentam problemas para assimilar cores, na verdade pode ser que uma cor ou outra cause irritação ocular (independente da intensidade da cor), pode causar um desconforto ao olhar e isso faz com que tenha um comportamento atípico e queira se livrar da cor, batendo, arranhando etc. Também apresentam dificuldade no processamento do som, em alguns casos pode demorar segundos para que internalize o som da fala de alguém, por isso é importante falar com o autista de forma clara, objetiva e se possível bem próximo dele, mesmo assim pode demorar alguns segundos para ele responder ao chamado. 

Os muitos sinais de alerta já indicam que não existe “A” criança ou “O” adulto autista, no sentido delimitado de quadro sintomático. Portanto, não existe “a” intervenção que funcione para todos. Pois, cada autista é um autista único e se desenvolve de forma singular.

As medicações, quando necessárias, são utilizadas para tratamento dos sintomas periféricos que podem estar associados com o quadro (insônia, hiperatividade, ansiedade, espasmos psicomotores que podem levar a um comportamento "agressivo") e até o momento não existem medicações para o tratamento dos sintomas centrais do quadro.

Síndrome de Asperger

Síndrome de Asperger é um transtorno enquadrado dentro da categoria de transtornos globais do desenvolvimento. Ela foi considerada, por muitos anos, uma condição distinta, porém próxima e bastante relacionada ao autismo.

A Síndrome de Asperger, assim como o autismo, foi incorporada a um novo termo médico e englobador, chamado de Transtorno do Espectro do Autismo (TEA). Com essa nova definição, a síndrome passa a ser considerada, portanto, uma forma mais branda de autismo. Dessa forma, os pacientes são diagnosticados apenas em graus de comprometimento, sendo assim o diagnóstico fica mais completo.

As pessoas com Asperger não apresentam grandes atrasos no desenvolvimento da fala e nem sofrem com comprometimento cognitivo, pois uma forte característica é que os Aspergers tem uma condição neurobiológica dentro dos padrões normais e um desenvolvimento cognitivo alinhado ao desenvolvimento linguístico muito satisfatório, que podem, inclusive, ser fatores que distanciam o real diagnóstico.

Possuem habilidades superiores em algumas áreas de conhecimento. Essas pessoas costumam escolher temas de interesse, que podem ser únicos por longos períodos de tempo - quando gostam do tema "dinossauros", por exemplo, falam repetidamente nesse assunto. No entanto, esse tema de interesse pode mudar várias vezes no decorrer da vida.

Habilidades incomuns, como memorização de sequências matemáticas ou de mapas, são bastante presentes em pessoas com essa síndrome.

Podem ter dificuldade na interação com outras pessoas, não compreendem "comandos", regras e são mais difíceis de estabelecer determinados limites, por este motivo podem estar a todo momento angustiados e inseridos em situações conflituosas com familiares, professores e colegas.
No desenvolvimento motor, hierarquização motora, lateralidade e coordenação motora fina, podem apresentar dificuldades e até pequenos espasmos ou movimentos repetitivos, quando submetidos a atividades físicas estressantes e demandam força e movimentos bruscos. Não se sentem confortáveis em locais com muito barulho e com muitas pessoas. Podem apresentar isolamento social, sintomas depressivos e ansiosos. São pessoas que gostam e precisam muito de rotina estabelecida e qualquer alteração na sua rotina diária deve ser avisada com antecedência.

O tratamento terapêutico ajuda muito a pessoa a lidar com as dificuldades. Recomendável um neuropsicopedagogo ou neuropsicologo e psicomotricista ou terapeuta ocupacional para ajustar as atividades ao seu nível de entendimento e desenvolvimento. Também recomendável terapia ABA que é Análise do Comportamento Aplicada ao Autismo, essa terapia inclusive auxilia muito com os comportamentos disruptivos.

É comum a Síndrome de Asperger vir associada a alguma comorbidade. Comorbidade é um termo médico que descreve outras condições que podem se manifestar junto ao transtorno do espectro autista. Elas estão presentes em cerca de 70% dos indivíduos com TEA, sendo que 48% deles podem ter mais de uma comorbidade. Estas condições associadas podem ser psiquiátricas, como TDAH, ou médicas, como distúrbios do sono. 

A grande maioria das pessoas no Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) apresenta Desordem de Processamento Sensorial causando disfunções sensoriais e estas prejudicam o modo como essas pessoas interpretam o mundo ao seu redor e podem alterar o curso de uma vida toda dependendo de como forem as experiências com o mundo. Entender essas condições que afetam pessoas no Espectro do Autismo é muito importante para a qualidade de vida não só delas, mas também de seus familiares e da sociedade como um todo.

Transtorno Desintegrativo da Infância

Transtorno Desintegrativo da Infância, ou Síndrome de Heller, é um tipo de transtorno global do desenvolvimento geralmente diagnosticado pela primeira vez na infância ou adolescência. Este transtorno caracteriza-se por uma perda clinicamente significativa de habilidades já adquiridas e uma maior probabilidade de Retardo Mental. Os sintomas do Transtorno Desintegrativo da Infância possuem algumas semelhanças com os do autismo, porém, é preciso deixar claro que são condições diferentes. Embora ambos façam parte da mesma categoria, chamada TGD, no TDI ocorre uma regressão severa após vários anos de desenvolvimento normal e uma perda de habilidades mais intensa do que uma criança com autismo costuma apresentar. Além disso, o Transtorno Desintegrativo da Infância pode se desenvolver mais tardiamente do que o autismo.

Síndrome de Kanner

Síndrome que se caracteriza por grave comportamento infantil manifestado por paragem de desenvolvimento da interação social, da comunicação, da linguagem e do relacionamento. Transtornos de neurodesenvolvimento nos quais ocorre uma ruptura nos processos fundamentais de socialização, comunicação e aprendizado. 

Síndrome de Rett

A Síndrome de Rett é uma doença neurológica provocada por uma mutação genética que atinge, na maioria dos casos, crianças do sexo feminino. Caracteriza-se pela perda progressiva de funções neurológicas e motoras após meses de desenvolvimento aparentemente normal - em geral, até os 18 meses de vida. Após esse período, as habilidades de fala, capacidade de andar e o controle do uso das mãos começam a regredir, sendo substituídos por movimentos estereotipados, involuntários ou repetitivos. Palavras aprendidas também são esquecidas, levando a uma crescente interrupção do contato social. A comunicação para essas meninas gradativamente se dá apenas pelo olhar.

É comum que a criança com Síndrome de Rett fique "molinha" e apresente desaceleração do crescimento. Distúrbios respiratórios e do sono também são comuns, especialmente entre os 2 e os 4 anos de idade. A partir dos 10 anos, o aparecimento de escolioses e de rigidez muscular fazem com que muitas crianças percam totalmente a mobilidade. Isso, associado a quadros mais ou menos graves de deficiência intelectual.

A Síndrome de Rett é um Transtorno Global do Desenvolvimento (TGD) e uma das principais causas de deficiência múltipla em meninas.


Psicose Infantil

A psiquiatria infantil definiu a psicose infantil como um transtorno de personalidade dependente de um transtorno da organização de eu e da relação da criança com o meio ambiente.

Tradicionalmente os psiquiatras definem o termo psicose como um distúrbio no sentido da realidade. Em contrapartida, numa visão psicodinâmica a psicose seria uma desorganização da personalidade podendo então ser compreendida como uma confusão entre o mundo imaginário e perceptivo na ausência do Ego (Freud), estrutura limitante entre esses dois mundos.

Características do psicótico infantil:
Dificuldades de se afastar da mãe;
Problemas na compreensão do que vê;
Problema na compreensão dos gestos e da linguagem;
Alterações marcantes na forma ou conteúdo do discurso, repetindo imediatamente palavras e/ou frases ouvidas (fala ecolálica), ou utilizando-se de estereotipias verbais e de frases ouvidas anteriormente e empregadas de forma idiossincrática. A inversão pronominal é comum, a criança se refere a ela mesma utilizando-se da terceira pessoa do singular ou do seu nome próprio;
Alterações marcantes na produção da fala, com peculiaridades quanto à altura, ritmo e modulação, habilidades especiais. Conduta socialmente embaraçosa.

Autismo Regressivo 

O autismo regressivo é caracterizado pelo início tardio, em que a criança se desenvolve normalmente até cerca de 18 meses e depois começa a evoluir para um comportamento típico de autista com sintomas como diminuição da capacidade de linguagem e de socialização. Estima-se que cerca de um terço dos autismos diagnosticados nos dias de hoje sejam desse tipo.

Autismo de Alta Funcionalidade

O autismo de alta funcionalidade, ou autismo altamente funcional (AAF), aplica-se a pessoas autistas que são consideradas como tendo "alto grau de funcionamento" em relação a outras pessoas autistas, por uma ou mais métricas. Não há consenso quanto à definição. Também conhecido por Autismo de alto desempenho, o AAF não é reconhecido como um diagnóstico distinto pelo DSM-IV-TR ou pela CID-10.

Os indivíduos com AAF ou Síndrome de Asperger podem apresentar déficits em áreas de comunicação, reconhecimento de emoções e expressão e interação social. A quantidade de sobreposição entre AAF e Síndrome de Asperger é contestada. Alguns pesquisadores argumentam que as duas entidades de diagnóstico são distintas, outros argumentam que são indistinguíveis. 

Prof. Dra. Regiane Souza Neves - Atua há 26 anos na área da educação onde foi professora, coordenadora pedagógica e diretora, sendo que nesta última função permaneceu por 15 anos como diretora na educação básica e está há 7 anos como diretora do CEADEH Centro de Estudos Avançados em Desenvolvimento Educacional e Humano (escola de formação continuada para educadores). Também atua há 11 anos em clínica como neuropsicopedagoga, neuropsicologa, psicopedagoga, psicomotricista e psicanalista, onde realiza diagnósticos para transtornos do neurodesenvolvimento como TEA, TDAH, TOD entre outros. Há 20 anos atua em estudos e desenvolvimento de políticas públicas. Saiba mais AQUI.