Mais de 180.000 pessoas seguem este blog. Verifique nosso contador:

Seja um seguidor deste blog (preencha com seu e-mail)

A prática de mindfulness para diminuir o estresse

 

Outro efeito relevante da prática de mindfulness é uma modificação na reatividade emocional: as pessoas que meditam costumam ser menos tomadas por impulsos emocionais e, quando isso acontece, conseguem retornar à normalidade mais rapidamente. As pesquisas sugerem que isso decorre de um maior controle da região pré-frontal sobre a amígdala cerebral. Essa última estrutura é responsável por detectar situações com significado emocional e desencadear as respostas periféricas que caracterizam nossa resposta a essas situações. A meditação provoca alterações estruturais e funcionais na amígdala, diminuindo sua atividade. Por outro lado, o controle pré-frontal faz com que a regulação consciente tenha uma ação mais efetiva ou, em outras palavras, que os processos racionais intervenham no processamento emocional.

Nesse contexto, é interessante notar que a prática de mindfulness tem um papel considerá­vel na redução do estresse e dos seus efeitos nocivos na saúde e no comportamento. Ao longo do processo evolutivo, nosso cérebro desenvolveu-se de forma a enfrentar situações de perigo, que mobilizam as emoções, iniciando em nosso corpo muitas respostas fisiológicas que o preparam para enfrentá-las. Por exemplo, o coração dispara, a pupila dilata-se, o sangue foge do intestino e da pele, dirigindo-se para os músculos e o cérebro. Essas são respostas desencadeadas por uma parte do sistema nervoso que se dirige aos nossos órgãos internos, que leva o nome de sistema nervoso simpático. Nessas situações, uma porção distinta do sistema nervoso visceral, o sistema parassimpático, é inibida (o parassimpático é utilizado em situações de calmaria, quando estamos, por exemplo, digerindo uma refeição). Uma resposta adicional, característica das situações de perigo, é a secreção de um hormônio da glândula suprarrenal, o cortisol, que tem ações que ajudam a preparar o organismo para enfrentar emergências. Essas respostas são vantajosas quando o indivíduo precisa livrar-se de uma ameaça passageira. Contudo, quando o estresse se torna muito frequente ou constante, as modificações fisiológicas que eram benéficas passam a ser um problema, pois agem promovendo efeitos nocivos. Podem ocorrer, por exemplo, distúrbios cardiocirculatórios, como hipertensão arterial, e psicológicos, como ansiedade e depressão.

A prática de mindfulness, observou-se, promove diminuição da atividade simpática e aumento da parassimpática. Os níveis do cortisol na circulação sanguínea são diminuídos e o sistema imunológico, responsável pela defesa do organismo, é estimulado, pois aumenta a concentração de anticorpos no sangue. Em síntese, a meditação provoca modificações fisiológicas que reduzem o estresse e protegem o organismo contra suas ações nocivas.

Dra. Regiane Souza Neves