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Meditar melhora a autoestima


Outra característica decorrente da prática de mindfulness que merece ser referida é a modificação da autopercepção. Os meditadores, ao observarem o seu fluxo de consciência, notam que os conteúdos que passam pela mente – pensamentos, sentimentos e emoções – são transitórios e estão em permanente mudança e que não há necessidade de se sentir enredado por eles. Não há uma identificação automática com os conteúdos da consciência e ocorre um processo de distanciamento do “eu” tradicional. Isso permite uma autorrepresentação mais positiva, melhora da autoestima e maior aceitação de si mesmo, com aumento da sensação de bem-estar. Os pesquisadores acreditam que essas modificações são decorrentes da menor ativação do chamado “circuito cerebral padrão”, responsável pela divagação mental, pois esta é usualmente autorreferente e nos prende a uma autopercepção automática e acrítica.

Em síntese, pode-se dizer que a prática de atenção plena atua nas chamadas funções executivas do cérebro, promovendo um aumento da autorregulação por suas ações no controle da atenção, na regulação emocional e nos processos da autoconsciência. A autorregulação é a capacidade que nos permite atingir nossos objetivos da maneira mais adequada ao longo de toda a vida, e os dados disponíveis mostram que essa habilidade tem alta correlação com vários aspectos positivos como o desempenho escolar, a manutenção da saúde ou a boa escolha profissional e correlação negativa com problemas com o uso de drogas ou transgressões legais.

A capacidade de autorregulação é variável entre as pessoas, mas pode ser aprendida e, portanto, é desejável que se busque aprimorá-la por meio da educação. Na verdade, isso corresponde ao que chamamos de aprendizagem socioemocional: o desenvolvimento de competências como a autogestão, a autoconsciência, a consciência social, as habilidades relacionais e as tomadas de decisão conscientes. Essas competências são estimuladas pela meditação, e essa é uma razão muito convincente para que ela seja introduzida no processo educacional. Existem, em todo o mundo, muitas experiências da prática de mindfulness em ambientes escolares, e vários estudos já constatam os resultados positivos dessa introdução.

Dra. Regiane Souza Neves