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Você sabia que o governo federal gasta anualmente apenas 1,2% do orçamento da saúde em saúde mental e que estados e municípios não colocam a saúde mental como área prioritária em seus orçamentos, mas provavelmente, todos os políticos irão utilizar da campanha JANEIRO BRANCO pra fazer politicagem?

São Paulo, 02 de janeiro de 2026


QUEM CUIDA DA MENTE, CUIDA DA VIDA!

A campanha nacional do JANEIRO BRANCO está completando 12 anos. Faço parte desde seu lançamento em 2014. O objetivo é sensibilizar todas as pessoas da importância da SAÚDE MENTAL. A campanha é oficializada por lei federal desde 2023 (Lei nº 14.556/23).

Os objetivos da Campanha Janeiro Branco:

1 – Fazer do mês de Janeiro o marco temporal estratégico para que todas as pessoas reflitam, debatam e planejem ações em prol da Saúde Mental em suas vidas ao longo de todo o ano;

2 – Chamar a atenção de quem fomenta leis e políticas públicas no nosso país para o tema da Saúde Mental nas vidas das pessoas;

3 – Aproveitar o início de todo ano para incentivar as pessoas a pensarem a respeito das suas vidas, dos seus relacionamentos e do que andam fazendo para serem verdadeiramente felizes;

4 – Mostrar às pessoas que sempre é possível o fechamento e a abertura de novos ciclos em busca da Felicidade em suas vidas, afinal, ano novo, vida nova, mente renovada!

Neste Janeiro Branco você vai ver muitos governos e políticos falando sobre a campanha. Mas, na realidade não estão fazendo nada sobre o assunto.

O governo federal gasta anualmente em torno de 1,2% do orçamento destinado a saúde, com saúde mental. Enquanto isso, os brasileiros que necessitam de medicamentos e terapias gastam em torno 35% de suas rendas, mensalmente, com estes serviços, porque não encontram este suporte na rede pública.

Governos estaduais e municipais se quer destinam orçamento específico para atender a população com doenças mentais, como depressão, ansiedade, transtornos e síndromes, gerando impactos significativos nas relações sociais, relações de trabalho e, principalmente, entre os jovens e os idosos, exigindo ações urgentes.

Em resumo, o Brasil enfrenta uma grave crise na saúde pública como um todo, mas famílias que necessitam de atenção e acolhimento em saúde mental percebem o enorme descaso, com falta de investimentos e políticas públicas que realmente atendam as necessidades do povo.

Os dados de alerta da saúde mental no Brasil em 2024-2025 são alarmantes, com um aumento de 68% nas licenças médicas por transtornos mentais (atingindo 472 mil afastamentos, o maior número da década), liderados por ansiedade e depressão, impactando principalmente mulheres, e com mais de 50% da população brasileira considerando a saúde mental um problema prioritário, refletindo uma crise agravada pelo mercado de trabalho, pandemia e fatores sociais, levando a uma atualização da NR-1 para incluir riscos psicossociais nas empresas. 

Dados relacionados ao trabalho de 2024/2025:
  • Afastamentos do trabalho por Saúde Mental: Mais de 472 mil licenças do INSS em 2024, um aumento de 68% em relação a 2023, o maior da década.
  • Doenças Mais Comuns: Ansiedade e depressão são as principais causas dos afastamentos.
  • Perfil dos Afastados: Mulheres representam 64% dos afastamentos, com idade média de 41 anos, liderando famílias e acumulando funções.
  • Preocupação da População: 54% dos brasileiros veem a saúde mental como o principal problema de saúde no país, um pico em 2024.
  • Causas: Pandemia, insegurança financeira, informalidade, e estresse do mercado de trabalho. 
  • Mudanças e Repercussões:
  • Atualização da NR-1: O Ministério do Trabalho incluiu a gestão de "riscos psicossociais" no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) das empresas a partir de 2025, exigindo identificação e prevenção desses riscos.
  • Crise Estrutural: A situação é vista como um problema estrutural do mundo do trabalho e da sociedade, demandando políticas públicas mais amplas. 
Outros indicadores:
  • Jovens: De 13% a 20% de jovens têm problemas de saúde mental, e um estudo aponta que uma em cada quatro ou cinco crianças/adolescentes no Brasil possui algum transtorno mental, segundo a Associação Brasileira de Psiquiatria. A ansiedade é mais comum entre 5-9 anos, enquanto a depressão afeta mais os 15-19 anos. O Brasil registra altos índices, com 22% dos jovens (15-24 anos) sentindo-se deprimidos ou sem interesse, segundo relatório pós-pandemia.
  • Pessoas 60+: Cerca de 14% a 15% da população acima de 60 anos apresenta algum transtorno mental, com depressão e ansiedade sendo os mais comuns, enquanto estudos variam, alguns apontam prevalências de transtornos mentais comuns (TMC) em idosos entre 12% e 44%, dependendo da localidade e metodologia, mas a Organização Mundial da Saúde (OMS), Portal da Câmara dos Deputados, IBGE, SciELO indicam altas taxas de depressão (cerca de 13% na faixa 60-64 anos) e transtornos como demência, exigindo atenção, especialmente devido ao envelhecimento populacional. 
Principais Estatísticas:
  • Prevalência de Ansiedade: Cerca de 26,8% a 30,8% dos brasileiros (dados Covitel 2023/Fiocruz 2023). 
  • Prevalência de Depressão: Cerca de 12,7% (Covitel 2023) a 19% (Ipsos 2024). 
  • Comparativo (2021 vs 2023 - Fiocruz): Episódios depressivos aumentaram de 28,8% para 38,4%; ansiedade de 19,2% para 30,8%. 
  • Apesar de 68% dos brasileiros relatarem sentimento de tristeza profunda, nervosismo, ansiedade e tensão, mais da metade da população nunca foi atendida por um profissional da saúde mental para lidar com questões relacionadas a transtornos de ansiedade e depressão. De acordo com uma pesquisa divulgada em 2024 pelo Instituto Cactus em parceria com a AtlasIntel, 55,8% das pessoas ainda não buscaram ajuda profissional, muitos por saberem que não vão encontrar um atendimento digno, ou já buscaram e não encontraram este serviço na rede pública de saúde.
A saúde mental se consolidou como o principal problema de saúde percebido pelos brasileiros, ultrapassando o câncer pela primeira vez. É o que revela uma pesquisa inédita da IPSOS que mostra que 52% da população considera o tema sua maior preocupação, em 2025. Em 2018, esse percentual era de apenas 18% — um salto de 34 pontos percentuais em sete anos.

De acordo com o levantamento, o câncer aparece em segundo lugar (37%), seguido pelo estresse (33%), o abuso de drogas (26%) e a obesidade (22%).

A pesquisa, intitulada Ipsos Health Service Report, ouviu 23.172 adultos em 30 países — sendo 1.000 brasileiros.

Resumo estatístico:
  • Quem está mais afetado? Mulheres, Jovens (18-24 anos) e pessoas 60+. Estudantes: Mapeamentos apontam que 70% dos estudantes relatam sintomas de ansiedade e pânico. 
  • Fatores Contribuintes: Instabilidade no mercado de trabalho e precarização. Pandemia de COVID-19 (aumento de estresse e isolamento). Violência urbana e desigualdade social.
  • Posição Global: Brasil é considerado o país mais ansioso do mundo, apontado em 1º lugar pela ONU e o 5º mais depressivo pela OMS. 
  • Impacto: Esses transtornos afetam gravemente a qualidade de vida e a capacidade de trabalho, exigindo políticas públicas e investimento em saúde mental.

Drª Regiane Souza Neves
Especialista em Saúde Mental, Educação, Transtornos do Neurodesenvolvimento e Neuroaprendizagem, Ciências Políticas e Gestão Pública.