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Você sabia que o governo federal gasta anualmente apenas 1,2% do orçamento da saúde em saúde mental e que estados e municípios não colocam a saúde mental como área prioritária em seus orçamentos, mas provavelmente, todos os políticos irão utilizar da campanha JANEIRO BRANCO pra fazer politicagem?

QUEM CUIDA DA MENTE, CUIDA DA VIDA!

A campanha nacional do JANEIRO BRANCO está completando 12 anos. Faço parte desde seu lançamento em 2014. O objetivo é sensibilizar todas as pessoas da importância da SAÚDE MENTAL. A campanha é oficializada por lei federal desde 2023 (Lei nº 14.556/23).

Os objetivos da Campanha Janeiro Branco:

1 – Fazer do mês de Janeiro o marco temporal estratégico para que todas as pessoas reflitam, debatam e planejem ações em prol da Saúde Mental em suas vidas ao longo de todo o ano;

2 – Chamar a atenção de quem fomenta leis e políticas públicas no nosso país para o tema da Saúde Mental nas vidas das pessoas;

3 – Aproveitar o início de todo ano para incentivar as pessoas a pensarem a respeito das suas vidas, dos seus relacionamentos e do que andam fazendo para serem verdadeiramente felizes;

4 – Mostrar às pessoas que sempre é possível o fechamento e a abertura de novos ciclos em busca da Felicidade em suas vidas, afinal, ano novo, vida nova, mente renovada!

Neste Janeiro Branco você vai ver muitos governos e políticos falando sobre a campanha. Mas, na realidade não estão fazendo nada sobre o assunto.

O governo federal gasta anualmente em torno de 1,2% do orçamento destinado a saúde, com saúde mental. Enquanto isso, os brasileiros que necessitam de medicamentos e terapias gastam em torno 35% de suas rendas, mensalmente, com estes serviços, porque não encontram este suporte na rede pública.

Governos estaduais e municipais se quer destinam orçamento específico para atender a população com doenças mentais, como depressão, ansiedade, transtornos e síndromes, gerando impactos significativos nas relações sociais, relações de trabalho e, principalmente, entre os jovens e os idosos, exigindo ações urgentes.

Em resumo, o Brasil enfrenta uma grave crise na saúde pública como um todo, mas famílias que necessitam de atenção e acolhimento em saúde mental percebem o enorme descaso, com falta de investimentos e políticas públicas que realmente atendam as necessidades do povo.

Os dados de alerta da saúde mental no Brasil em 2024-2025 são alarmantes, com um aumento de 68% nas licenças médicas por transtornos mentais (atingindo 472 mil afastamentos, o maior número da década), liderados por ansiedade e depressão, impactando principalmente mulheres, e com mais de 50% da população brasileira considerando a saúde mental um problema prioritário, refletindo uma crise agravada pelo mercado de trabalho, pandemia e fatores sociais, levando a uma atualização da NR-1 para incluir riscos psicossociais nas empresas. 

Dados relacionados ao trabalho de 2024/2025:
  • Afastamentos do trabalho por Saúde Mental: Mais de 472 mil licenças do INSS em 2024, um aumento de 68% em relação a 2023, o maior da década.
  • Doenças Mais Comuns: Ansiedade e depressão são as principais causas dos afastamentos.
  • Perfil dos Afastados: Mulheres representam 64% dos afastamentos, com idade média de 41 anos, liderando famílias e acumulando funções.
  • Preocupação da População: 54% dos brasileiros veem a saúde mental como o principal problema de saúde no país, um pico em 2024.
  • Causas: Pandemia, insegurança financeira, informalidade, e estresse do mercado de trabalho. 
  • Mudanças e Repercussões:
  • Atualização da NR-1: O Ministério do Trabalho incluiu a gestão de "riscos psicossociais" no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) das empresas a partir de 2025, exigindo identificação e prevenção desses riscos.
  • Crise Estrutural: A situação é vista como um problema estrutural do mundo do trabalho e da sociedade, demandando políticas públicas mais amplas. 
Outros indicadores:
  • Jovens: De 13% a 20% de jovens têm problemas de saúde mental, e um estudo aponta que uma em cada quatro ou cinco crianças/adolescentes no Brasil possui algum transtorno mental, segundo a Associação Brasileira de Psiquiatria. A ansiedade é mais comum entre 5-9 anos, enquanto a depressão afeta mais os 15-19 anos. O Brasil registra altos índices, com 22% dos jovens (15-24 anos) sentindo-se deprimidos ou sem interesse, segundo relatório pós-pandemia.
  • Pessoas 60+: Cerca de 14% a 15% da população acima de 60 anos apresenta algum transtorno mental, com depressão e ansiedade sendo os mais comuns, enquanto estudos variam, alguns apontam prevalências de transtornos mentais comuns (TMC) em idosos entre 12% e 44%, dependendo da localidade e metodologia, mas a Organização Mundial da Saúde (OMS), Portal da Câmara dos Deputados, IBGE, SciELO indicam altas taxas de depressão (cerca de 13% na faixa 60-64 anos) e transtornos como demência, exigindo atenção, especialmente devido ao envelhecimento populacional. 
Principais Estatísticas:
  • Prevalência de Ansiedade: Cerca de 26,8% a 30,8% dos brasileiros (dados Covitel 2023/Fiocruz 2023). 
  • Prevalência de Depressão: Cerca de 12,7% (Covitel 2023) a 19% (Ipsos 2024). 
  • Comparativo (2021 vs 2023 - Fiocruz): Episódios depressivos aumentaram de 28,8% para 38,4%; ansiedade de 19,2% para 30,8%. 
  • Apesar de 68% dos brasileiros relatarem sentimento de tristeza profunda, nervosismo, ansiedade e tensão, mais da metade da população nunca foi atendida por um profissional da saúde mental para lidar com questões relacionadas a transtornos de ansiedade e depressão. De acordo com uma pesquisa divulgada em 2024 pelo Instituto Cactus em parceria com a AtlasIntel. Sendo 55,8% das pessoas ainda não buscaram ajuda profissional, muitos por saberem que não vão encontrar um atendimento digno, ou já buscaram e não encontraram este serviço na rede pública de saúde.
A saúde mental se consolidou como o principal problema de saúde percebido pelos brasileiros, ultrapassando o câncer pela primeira vez. É o que revela uma pesquisa inédita da IPSOS que mostra que 52% da população considera o tema sua maior preocupação, em 2025. Em 2018, esse percentual era de apenas 18% — um salto de 34 pontos percentuais em sete anos.

De acordo com o levantamento, o câncer aparece em segundo lugar (37%), seguido pelo estresse (33%), o abuso de drogas (26%) e a obesidade (22%).

A pesquisa, intitulada Ipsos Health Service Report, ouviu 23.172 adultos em 30 países — sendo 1.000 brasileiros.

Resumo estatístico:
  • Quem está mais afetado? Mulheres, Jovens (18-24 anos) e pessoas 60+. Estudantes: Mapeamentos apontam que 70% dos estudantes relatam sintomas. 
  • Fatores Contribuintes: Instabilidade no mercado de trabalho e precarização. Pandemia de COVID-19 (aumento de estresse e isolamento). Violência urbana e desigualdade social.
  • Posição Global: Brasil é considerado o país mais ansioso do mundo, apontado em 1º lugar pela ONU e o 5º mais depressivo pela OMS. 
  • Impacto: Esses transtornos afetam gravemente a qualidade de vida e a capacidade de trabalho, exigindo políticas públicas e investimento em saúde mental.

Drª Regiane Souza Neves
Especialista em Saúde Mental, Educação, Transtornos do Neurodesenvolvimento e Neuroaprendizagem, Ciências Políticas e Gestão Pública.



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