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Em muitos municípios, assim como é o caso de Osasco, a saúde mental é negligenciada, os serviços especializados são insuficientes, as filas de espera são longas, faltam profissionais qualificados e, principalmente, faltam ações preventivas capazes de identificar o sofrimento antes que ele se transforme em uma crise

Nos últimos dias, duas situações graves envolvendo pessoas em intenso sofrimento emocional chamaram a atenção da população da nossa região. Um caso que abalou toda a cidade, com um desfecho triste de morte na Ponte Metálica de Osasco, no sábado dia 20 de junho. Outro caso, nesta segunda-feira, 22 de junho, em uma passarela na Rodovia Raposo Tavares, que felizmente teve um desfecho com acolhimento e cuidados do corpo de bombeiros e da polícia militar. 

Estamos falando de seres humanos que, em algum momento, precisaram de ajuda e não encontraram. 

Ao longo de mais de 17 anos de atuação na área da saúde mental, venho alertando sobre a necessidade de tratarmos esse tema com a seriedade que ele merece. Infelizmente, ainda observamos uma grande distância entre a realidade vivida pelas pessoas e as políticas públicas efetivamente implementadas para acolher, prevenir e tratar o sofrimento psíquico e emocional. 

Em muitos municípios, assim como é o caso de Osasco, a saúde mental é negligenciada, os serviços especializados são insuficientes, as filas de espera são longas, faltam profissionais qualificados e, principalmente, faltam ações preventivas capazes de identificar o sofrimento antes que ele se transforme em uma crise. 

Nenhuma pessoa deveria enfrentar sozinha momentos de sofrimento intenso. E nenhuma família deveria sentir que não há para onde recorrer quando precisa de ajuda. Por isso, precisamos agir. A saúde mental deve ser uma prioridade permanente das políticas públicas, e não apenas um tema discutido em momentos de crise ou de tragédia. 

Tenho 17 livros escritos de minha autoria e um deles é sobre esse assunto: Saúde Mental no Brasil: desafios, impactos e soluções para uma saúde pública eficiente [ISBN 978-65-266-7033-0] 

JUNHO VERDE: Mês de Conscientização da Saúde Mental Masculina, uma campanha global focada em quebrar o tabu de que homens devem ser "invulneráveis" e incentivá-los a buscar apoio emocional. A iniciativa combate o estigma de que expressar sentimentos é fraqueza e promove o autocuidado. 

Drª Regiane Souza Neves

Especialista em Saúde Mental, Educação, Neurodesenvolvimento, Ciências Políticas e Gestão Pública.