+de 380.000 seguidores no blog +de 80.000 seguidores no Instagram +de 30.000 seguidores no Facebook

Pessoas em sofrimento psíquico grave frequentemente enfrentam longas filas, dificuldade de acesso a especialistas, falta de vagas para internação quando ela é clinicamente indicada e uma rede sobrecarregada. Muitas famílias vivem o desespero de procurar ajuda e ouvir que "não há vaga"

A Reforma Psiquiátrica brasileira representou um marco histórico ao combater o modelo manicomial, que por décadas violou direitos humanos, segregou pessoas e transformou a internação em exclusão social. Valorizar a dignidade, a liberdade e o cuidado em comunidade foi um avanço que precisa ser reconhecido.

Entretanto, é preciso admitir que, a implementação da rede de atenção não ocorreu de forma completa. Não garante uma estrutura suficiente de atendimento e gera um vazio assistencial que hoje é sentido por pacientes, familiares e profissionais.

Pessoas em sofrimento psíquico grave frequentemente enfrentam longas filas, dificuldade de acesso a especialistas, falta de vagas para internação quando ela é clinicamente indicada e uma rede sobrecarregada. Muitas famílias vivem o desespero de procurar ajuda e ouvir que "não há vaga".

A internação psiquiátrica em hospital geral, quando indicada por critérios técnicos, não representa um retrocesso. Ela é um recurso terapêutico previsto na Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), destinado a situações de crise aguda, por tempo limitado e integrado ao cuidado multiprofissional.

Defender o cuidado em liberdade não significa negar a necessidade de internação. Da mesma forma, defender leitos psiquiátricos não significa defender o retorno dos antigos manicômios.

O verdadeiro compromisso com a saúde mental exige uma rede completa: atenção básica fortalecida, CAPS estruturados, ambulatórios especializados, equipes multiprofissionais, atendimento de urgência e emergência e leitos psiquiátricos suficientes em hospitais gerais para os casos que realmente necessitam.

Não podemos trocar o isolamento do passado pelo abandono do presente. Humanizar o cuidado também significa garantir acesso, oportunidade de tratamento e assistência adequada no momento certo. Saúde mental se faz com ciência, planejamento, responsabilidade e políticas públicas eficientes.

Tenho 17 livros escritos de minha autoria publicados e recomendados. Um deles tem o título "Saúde Mental no Brasil: desafios, impactos e soluções para uma saúde pública eficiente (ISBN: 978-65-266-7033-0)".

Drª Regiane Souza Neves 

Especialista em Saúde Mental e Saúde Pública