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Nos últimos dias, tenho presenciado situações que me deixam profundamente preocupada e indignada. Tenho visto idosos sendo impedidos de exercer direitos básicos porque tudo passou a depender de aplicativos, senhas, certificados digitais, códigos de acesso e sistemas cada vez mais complexos

Estamos abandonando os nossos idosos?

Nos últimos dias, tenho presenciado situações que me deixam profundamente preocupada e indignada. Tenho visto idosos sendo impedidos de exercer direitos básicos porque tudo passou a depender de aplicativos, senhas, certificados digitais, códigos de acesso e sistemas cada vez mais complexos.

Quem trabalhou durante décadas, criou famílias, pagou impostos e ajudou a construir este país agora enfrenta dificuldades para marcar uma consulta, acessar um benefício, movimentar uma conta bancária ou resolver questões simples do dia a dia. Muitos acabam dependendo de um filho, de um neto ou de um vizinho. E aqueles que estão sozinhos? Como ficam?

Isso não é apenas uma dificuldade com a tecnologia. É uma forma de exclusão.

Muitos idosos sempre tiveram autonomia e liberdade financeira para resolver problemas, pagar contas, fazer compras...Mas, atualmente, perderam esta autonomia e vivem na dependência de alguém, o que lhes causa desgaste, angústia, medo, insegurança e sentimento de abandono. O que inclusive, acaba facilitando golpes.

A tecnologia deve servir para facilitar a vida das pessoas, nunca para impedir que elas tenham acesso aos seus direitos. Modernizar os serviços é importante, mas eliminar alternativas presenciais e acessíveis significa deixar milhares de idosos para trás.

Uma sociedade que se diz moderna precisa ser, antes de tudo, humana. Precisamos garantir que ninguém seja tratado com indignidade por não dominar um smartphone ou um aplicativo.

Os nossos idosos merecem respeito, acolhimento e autonomia. Eles não podem ser esquecidos justamente na fase da vida em que mais precisam de proteção.

O verdadeiro progresso não é criar mais tecnologia. É garantir que ela sirva a todos, sem excluir ninguém.

E você, também acredita que estamos falhando com os nossos idosos?

Drª Regiane Souza Neves 

Especialista em Saúde Mental e Saúde Pública, Educação e Neurodesenvolvimento, Ciências Políticas e Sociais, Gestão Pública e Gerenciamento de Cidades.